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Como Funciona a Terapia Comportamental para uma Criança que Não Fala?

Essa é uma pergunta excelente e muito pertinente. Parece um paradoxo, não é? Como uma terapia, muitas vezes associada à fala, pode ajudar justamente quem não consegue falar? A resposta está na abordagem: a terapia não começa com a fala, mas sim com a segurança.
O objetivo principal da Terapia Cognitivo- Comportamental (TCC) aplicada ao Mutismo Seletivo não é fazer a criança falar a qualquer custo, mas sim reduzir a ansiedade a um nível tão baixo que a fala possa emergir de forma natural e espontânea. O terapeuta é como um guia que ajuda a criança a descer de uma árvore muito alta, um degrau de cada vez, em vez de gritar lá de baixo para que ela pule.

A Terapia na Prática: Uma Abordagem Passo a Passo

A terapia é um processo gradual e lúdico, que se assemelha mais a uma brincadeira estruturada do que a uma consulta formal. O foco nunca está no “não falar”, mas sim em construir e celebrar pequenas vitórias. Abaixo, detalho as principais técnicas de forma simplificada:
Técnica
Como Funciona na Prática (sem pressão para falar)
1. Vínculo e Brincadeira Livre
O terapeuta primeiro foca em construir uma relação de confiança com a criança. As sessões iniciais são dedicadas a brincadeiras (jogos de tabuleiro, desenho, massinha) onde não há nenhuma expectativa de fala. O objetivo é que a criança se sinta 100% segura e à vontade no ambiente terapêutico.
2. Comunicação Não- Verbal
O terapeuta começa a incentivar e a reforçar positivamente qualquer forma de comunicação. A criança pode usar gestos, apontar, fazer “sim” ou “não” com a cabeça, ou até mesmo usar cartões com figuras para se expressar. Cada tentativa é validada e elogiada, mostrando à criança que ela pode se comunicar e ser compreendida, mesmo sem a fala.
3. A Técnica da “Escadinha da Fala”
Esta é a fase em que a fala começa a ser “moldada” (técnica de shaping). O terapeuta usa jogos que naturalmente evocam sons (como imitar um animal, soprar um apito) e gradualmente avança para sons de letras, sílabas, até chegar a palavras curtas. Por exemplo, em um jogo de pescaria, a criança pode ser incentivada a dizer “ix” para “peixe”. Cada passo na “escadinha” é recompensado.
4. Transferência Gradual (Fading)
Uma vez que a criança começa a falar com o terapeuta, o próximo passo é transferir essa habilidade para outras pessoas e lugares. Isso é feito de forma muito cuidadosa. Por exemplo, o terapeuta pode convidar um dos pais para a sessão. Inicialmente, a criança continua falando apenas com o terapeuta. Depois, o pai ou a mãe é incluído na brincadeira, até que a criança se sinta confortável para responder a eles também. Esse processo é repetido com outras pessoas (um irmão, um amigo, o professor).
5. Prática no “Mundo Real”
Terapeutas especializados em Mutismo Seletivo frequentemente levam a terapia para fora do consultório. Eles podem ir à escola da criança, a uma sorveteria ou a um parquinho para praticar as habilidades de comunicação em cenários reais, sempre de forma gradual e controlada.
É um trabalho de “formiguinha”, que exige paciência e uma colaboração muito estreita entre terapeuta, pais e escola. Os pais são treinados para se tornarem “coterapeutas”, aplicando as mesmas estratégias em casa e em situações sociais. O objetivo final é que a criança generalize a confiança que construiu na terapia para todas as áreas da sua vida, permitindo que sua voz, que sempre esteve lá, finalmente encontre o caminho para se expressar livremente.

Referências

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