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Guia Prático: TPM e Saúde Menstrual na Escola

Este guia prático foi desenvolvido para auxiliar professores, educadores e gestores escolares na compreensão da Tensão Pré-Menstrual (TPM) e seus impactos na vida das alunas. O documento está estruturado para fornecer embasamento científico, estratégias de acolhimento e orientações práticas, divididas pelas etapas educacionais onde a menstruação é mais presente: Ensino Fundamental II e Ensino Médio. 

A menstruação e os sintomas que a antecedem não são apenas questões biológicas, mas também sociais e educacionais. Pesquisas indicam que mais de 60% das adolescentes e jovens que menstruam já deixaram de ir à escola ou a outros compromissos por causa da menstruação [1]. Portanto, a escola desempenha um papel fundamental na promoção da dignidade menstrual e no acolhimento dessas estudantes. 

  1. Entendendo a TPM e o TDPM 

A Tensão Pré-Menstrual (TPM) é um conjunto de sintomas físicos e psicológicos que surgem vários dias antes do início da menstruação e, geralmente, desaparecem algumas horas após o início do fluxo menstrual [2]. A condição está relacionada às flutuações nos níveis de estrogênio e progesterona, além de alterações na serotonina, um neurotransmissor que afeta o humor [2]. 

Existe também uma forma mais grave da condição, conhecida como Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM). O TDPM afeta entre 2% e 6% das mulheres e é caracterizado por sintomas tão intensos que interferem significativamente no trabalho, nas atividades sociais, nos relacionamentos e no rendimento escolar [2]. 

Sintomas Comuns 

Os sintomas variam amplamente de aluna para aluna, tanto em tipo quanto em intensidade. A tabela a seguir organiza os sintomas mais frequentes relatados durante o período pré-menstrual. 

Categoria  Principais Sintomas  Impacto Potencial na Sala de Aula
Psicológicos e 

Emocionais

Irritabilidade, ansiedade, agitação, depressão, letargia e dificuldade de concentração. Menor participação nas aulas, reações desproporcionais a críticas, dificuldade em focar durante explicações longas ou avaliações.
Físicos Inchaço, retenção de líquidos, dor nas mamas, cólicas (dismenorreia), dores de cabeça, enxaquecas e fadiga intensa. Necessidade de ir ao banheiro com mais frequência, desconforto ao permanecer sentada por longos períodos, cansaço extremo que afeta a produtividade.
Comportamentais Insônia ou sonolência excessiva, alterações no apetite, isolamento social. Atrasos na chegada à escola, sonolência durante as aulas, distanciamento dos grupos de colegas no recreio.

 

  1. O Impacto no Desempenho Escolar 

A TPM pode afetar diretamente a vida acadêmica das alunas. A dificuldade de concentração, somada à dor física (cólicas e enxaquecas) e ao desconforto geral, pode comprometer o rendimento durante a organização dos estudos e a realização de provas [3]. 

Além dos sintomas fisiológicos, o estresse associado à menstruação no ambiente escolar é agravado por fatores estruturais. O medo de “vazar” na roupa, a falta de absorventes (pobreza menstrual) e a infraestrutura inadequada dos banheiros são fontes constantes de ansiedade [1]. Quando a escola não oferece um ambiente seguro e acolhedor, a evasão escolar e o absenteísmo aumentam consideravelmente durante o período menstrual.

  1. Estratégias de Apoio por Etapa Educacional 

O acolhimento deve ser adaptado à fase de desenvolvimento das alunas. Abaixo, apresentamos estratégias específicas para o Ensino Fundamental II e Ensino Médio. 

Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano) 

Nesta etapa, muitas alunas estão vivenciando a menarca (primeira menstruação) e os primeiros ciclos menstruais, que costumam ser irregulares. A insegurança, a vergonha e a falta de informação são os maiores desafios. 

Estratégias Pedagógicas e de Acolhimento: O foco deve ser a educação e a normalização. É fundamental que o tema seja abordado em sala de aula de forma interdisciplinar, especialmente nas aulas de Ciências, mas não restrito a elas. A escola deve promover rodas de conversa sobre saúde feminina, incluindo os meninos para combater o estigma e as piadas que frequentemente ocorrem nessa idade [4]. 

Ações Práticas: 

Kits de Emergência Acessíveis: Disponibilizar absorventes e roupas íntimas extras na coordenação ou enfermaria, sem que a aluna precise passar por um processo burocrático ou constrangedor para acessá-los. 

Flexibilidade nas Aulas de Educação Física: Compreender que cólicas severas e fadiga não são “desculpas”, mas sintomas reais. Oferecer atividades alternativas de menor impacto físico quando necessário. 

Permissão de Saída: Garantir que as alunas possam ir ao banheiro sempre que solicitarem, sem questionamentos públicos, pois o fluxo pode ser imprevisível nessa fase. 

Ensino Médio (1º ao 3º ano) 

No Ensino Médio, as alunas já conhecem melhor seus ciclos, mas a pressão acadêmica (vestibulares, ENEM) aumenta o estresse, o que pode agravar os sintomas da TPM e do TDPM. 

Estratégias Pedagógicas e de Acolhimento: O foco deve ser o autocuidado e a gestão do estresse. A escola deve orientar as alunas a reconhecerem seus padrões de TPM e a planejarem suas rotinas de estudo considerando essas oscilações. A escuta ativa por parte dos professores e orientadores educacionais é essencial para identificar casos de TDPM que necessitem de encaminhamento médico. 

Ações Práticas: 

Flexibilidade nas Avaliações: Quando possível, permitir que alunas com laudo médico para TDPM ou dismenorreia grave tenham flexibilidade de prazos ou realizem provas substitutivas sem penalidades. 

Espaços de Descanso: Criar ou adaptar espaços na escola (como a enfermaria ou sala de leitura) onde a aluna possa repousar por alguns minutos em caso de enxaqueca ou cólica intensa. 

Educação para a Saúde Mental: Promover palestras com profissionais de saúde sobre como as flutuações hormonais afetam a saúde mental e estratégias de enfrentamento (exercícios de respiração, alimentação adequada). 

  1. A Escola como Espaço Seguro 

Independentemente da etapa educacional, algumas ações institucionais são necessárias para garantir a dignidade menstrual de todas as estudantes. 

A infraestrutura dos banheiros deve ser revisada constantemente: portas com trancas que funcionem, lixeiras adequadas dentro das cabines, papel higiênico e sabonete sempre disponíveis [5]. A ausência desses itens básicos viola a dignidade das alunas e aumenta o estresse durante o período menstrual. 

A escola também deve estar atenta à pobreza menstrual. A distribuição gratuita de itens de higiene menstrual, conforme preconizado por políticas públicas recentes [6], deve ser implementada ativamente. O professor, estando na linha de frente, pode ser o elo entre a aluna que necessita desses produtos e a coordenação escolar. 

Por fim, a capacitação contínua de toda a equipe escolar (professores, inspetores, funcionários da limpeza) é vital. A empatia e a informação são as melhores ferramentas para transformar a escola em um ambiente onde a menstruação não seja um tabu, mas uma parte natural da vida que recebe o suporte adequado.

Referências 

[1] UNICEF. (2021). Mais de 60% de adolescentes e jovens que menstruam já deixaram de ir à escola ou a outro lugar por causa da menstruação. Fundo das Nações Unidas para a Infância. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de 

imprensa/mais-de-60-por-cento-de-adolescentes-e-jovens-que-menstruam-ja deixaram-de-ir-a-escola-ou-a-outro-lugar-por-causa-da-menstruacao 

[2] Pinkerton, J. V. (2025). Tensão pré-menstrual (TPM). Manual MSD Versão Saúde para a Família. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/casa/problemas-de sa%C3%BAde-feminina/dist%C3%BArbios-menstruais-e-sangramento-uteino an%C3%B4malo/tens%C3%A3o-pr%C3%A9-menstrual-tpm 

[3] Realize Editora. (2020). Artigo VI CONEDU - Vol 3. Disponível em: https://editorarealize.com.br/artigo/visualizar/65619 

[4] Instituto Claro. (2025). Ciclo menstrual: como abordar o assunto com os estudantes?. Disponível em: https://www.institutoclaro.org.br/educacao/nossas novidades/reportagens/ciclo-menstrual-como-abordar-o-assunto-com-os estudantes/ 

[5] Fiocruz. (2021). Pobreza menstrual: condições sanitárias inadequadas nas escolas impactam direitos fundamentais. Ciências da Saúde. Disponível em: https://cienciasdasaude.minas.fiocruz.br/pobreza-menstrual-condicoes-sanitarias inadequadas-nas-escolas-impactam-direitos-fundamentais/ 

[6] Governo Federal. (n.d.). Programa Dignidade Menstrual. Ministério das Mulheres. Disponível em: https://www.gov.br/mulheres/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e programas/dignidade-menstrual

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